O Zine Feridas Abertas editado por Márcio Cruz desde 2004 tem sua versão online aqui.

10/16/2007

ENTREVISTA MR JUNGLE.

O Mr Jungle vem de Boa Vista, Roraima e com um som baseado no Hard Rock a banda vem fazendo shows elogiados Brasil a fora, mostrando que o Norte do país tem muito oferecer quando se trata de rock’n’roll. Em conversa com o vocalista Manoel Vilas Boas falou-se um pouco da origem da banda, da cena de Roraima, de primeiro disco entre outras coisas.

Mr Jungle

FA - Faça uma apresentação da banda para quem não conhece.

Manoel Vilas Boas - O Mr Jungle tem 7 anos de vida, mas só há 3 realmente decidimos ver qual é que é. Começamos a compor, e divulgar nosso trabalho de várias formas. Somos 5 caras diferentes que gostam de Hard Rock, de riffs pegajosos e refrões em coro. Rock n' Roll. Quem curte o rock dos anos 70 e 80, se identificam conosco. Led Zeppelin, Deep Purple, Kiss, AC/DC, Barão Vermelho, Black Crowes, Jet, Hellacopters, e com certeza depois do que vimos Cabaret e Nashville Pussy (Foram aulas) são nossas principais influências.

FA - Como andam as produções do primeiro disco? Existe algum apoio por trás ou vocês o estão bancando tudo sozinho? Como será a distribuição?

MVB - Estamos no processo final de gravação de nosso primeiro CD cheio (com 11 faixas). Já lançamos dois singles, com 4 e duas músicas respectivamente, em 2005 e 2006. Queremos lançar o Cd Mr Jungle até o começo do ano que vem, em SMD, pra vender o máximo possível e divulgar ao máximo nossas músicas pela net (leia-se myspace, trama virtual, etc). Temos apoio que é pontual, nunca constante. A produção é nossa. Estamos vendo selos para a divulgação.

FA - Como é a cena em Roraima? Quais são os prós e contras?

MVB - Eu, Manoel, moro em Boa Vista há 11 anos, e posso te falar que de uns 7 anos pra cá, bandas surgiram, e desapareceram. As bandas não têm referências, tocam covers, e é até um orgulho pra nós, poder fazer parte de uma mudança de mentalidade das bandas que estão surgindo e compondo, vendo a importância de se preparar seu próprio material, que tem espaço e público pra todos, se você for verdadeiro. Hoje a cena é pequena, o público é mal acostumado, mas isso é questão de tempo e de muito trabalho para mudar.

FA - Como vocês vêem a cena independente do Brasil? Os computadores e a internet vão substituir às gravadoras ou o grande interesse ainda é o de se conseguir assinar um bom contrato para sair do underground?

MVB - A cena independente é a atualidade. Poucos são "bancados" por gravadoras. Não podemos negar que, uma maior divulgação pela "cena independente" ainda faz falta. A internet é uma ferramenta, muito importante, pois liga o mundo todo, mas creio que não devemos ficar presos somente a música virtual. Os festivais são reflexo da cena atual, onde as bandas tem uma vitrine das maiores para expor seu trabalho. Não creio que a net vai substituir as gravadoras, mas já fez um estrago considerável.
Quanto a sair do underground de alguma forma, vejo como um passo distante e natural, que pode acontecer se você estiver no momento certo e no lugar certo pra "estourar" e saber usar e ser usado para nunca se vender, e sim aproveitar a grande exposição

FA - Fazer rock na Amazônia é complicado, as bandas ainda têm como objetivo chegar à grande mídia do eixo Sul-Sudeste, e mesmo o público da nossa região não apóia muito as bandas residentes. Um intercâmbio maior dentro da região (seja de bandas, mídia, público) poderia compensar o fato de estarmos longe do assim dito “centro fonográfico do país”?

MVB - Achei a pergunta muito pertinente. O maior problema da "cena independente" é viabilizar outros centros, os centros mais distantes. Cada cena local deveria se fortificar, e sem o respeito do público fica muito difícil. O tal intercâmbio é a principal saída pra movimentar e tentar criar no público a idéia de qualidade local, pois você pode comparar o som das suas bandas com as de outros estados próximos. Bandas como Madame Saatan, Cravo Carbono, Coletivo Rádio cipó, La Pupuña, Los Porongas, entre outras, servem de exemplo pras bandas iniciantes, como o Mr Jungle, de que podemos ter um futuro real, com os pés no chão, mas com um trabalho sério e respeitado, primeiro em casa e depois na região, vamos mostrar para o resto do Brasil que aqui tomamos guaraná, quando não tem coca cola e que queremos coisas da terra, e o que vier la de fora vem pra somar e não pra atrapalhar. Vamos criar um "centro fonográfico" próprio, menor, mas viável.

FA - Quais são os próximos passos da Mr. Jungle?

MVB - Estamos organizando com mais 4 bandas daqui um site local pra disponibilizar material (músicas, fotos, releases, etc.) e organizar eventos pequenos no início, pra preparar pro ano que vem um festival bem estruturado, a nível regional ou até nacional. Estamos participando de uma coletânea com mais 6 bandas locais, com o lançamento de um CD com duas músicas de cada, produzido pelas próprias bandas e pelo SESC local. Estamos finalizando nosso primeiro CD, que tem 11 faixas, e estamos procurando um selo para divulgá-lo. Vamos preparar dois videoclipes simultâneos, para lançá-los com o cd. Participar de mais festivais independentes e principalmente, tentar fortalecer a cena local, divulgando e promovendo outras bandas.

FA - Obrigado pela entrevista e pode deixar seu recado.

MVB - Nós que agradecemos pela oportunidade de mostrar um pouco de nossos pontos de vista. Estamos para somar. Acreditamos muito na sinceridade, até boba, de que, se você faz com o coração, você pode tocar qualquer coisa, que você será respeitado, terá seu público e espaço. Somos Hard Rock, com orgulho, e vocês vão ouvir muito de nós ainda, podem esperar.

Grande abraço à todos.


Mr Jungle na Trama Virtual

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=15565

Mr Jungle no Myspace

http://www.myspace.com/mrjunglerr

Comunidade no Orkut

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5840201

7/03/2007

ENTREVISTA A EUTERPIA.

Banda situada dentro da nova safra musical paraense, A Euterpia é uma das mais singulares bandas do estado. Com uma música que é um encontro de idéias sonoras muito bem situadas e definidas por seus integrantes, o que deixa claro a sofisticação e a versatilidade dos músicos e o entrosamento do grupo. A vocalista Marisa brito falou um pouco das novidades da banda que acabou de lançar um disco e prepara para lançá-lo nacionalmente.

A Euterpia

FA - Vocês lançaram um disco, fale um pouco sobre a idéia, criação e produção deste trabalho.

Marisa Brito: Lançamos em março deste ano o primeiro álbum oficial da banda, chamado: Revirando o Sótão... Nele, estão canções que passeiam pelos nove anos de história da Euterpia... Desde a mais antiga (Veneza) até a mais recente até o momento em que o disco foi gravado (Revirando o Sótão). Gravamos no ano de 2005 com a produção musical de Alcir Meireles e tivemos as participações especiais de: Marcus Puff (Sax), Arthur Alves (Cello), o próprio Alcir Meireles (Flauta) e Mapyu (percussão).

FA - Uma vez li uma entrevista da banda falando que vocês preferiam se apresentar em teatros a bares, o teatro realmente é a casa da Euterpia?

MB: Bom, na verdade gostamos de nos apresentar em qualquer lugar que queiram nos ver (risos). Nossa grande reclamação quanto aos bares era devido à falta de estrutura de som, o que atrapalha muito o bom andamento de um show. Nos teatros há um cuidado maior quanto a isso, mas se o bar tiver uma estrutura legal, vamos adorar tocar lá também!

FA - A pirataria pode deixar uma banda independente conhecida, mas não rica. O que é melhor ser rico ou ser conhecido?

MB: Nossa, essa pergunta é difícil hein! Na verdade eu acredito que quando fazemos o que gostamos, e acreditamos em nosso trabalho, fazemos com prazer, amor e dedicação... Esses sentimentos geram coisas boas e atraem naturalmente ganhos, sejam eles financeiros, emocionais, profissionais, enfim. E na minha opinião é isso que importa! Eu acredito que é possível sim viver de música quando você leva seu trabalho a sério, quando você encara a música como a sua profissão. Quando isso acontece, naturalmente você arranjará meios de se manter através dela!

A Euterpia em quadrinhos. Por Marcelo Marat e Emmanuel Thomaz

FA - Belém entrou na rota dos shows independentes, o que falta para a cidade ser referência?

MB: Belém tem um potencial gigantesco... E está indo no rumo certo! Sinto que às vezes ainda falta encarar a música como um mercado, como um trabalho! Profissionalizar as pessoas que trabalham e querem atuar nesse meio. Músicos, produtores, técnicos de som, iluminação, roadies, etc. É claro que aqui existem excelentes profissionais, mas não foi construído ainda um mercado, pra que essas pessoas tenham sempre trabalho e sejam bem remuneradas.

FA - Quais são os próximos planos da Euterpia?

MB: Queremos agora viajar pelo Brasil para divulgar o trabalho do disco
Revirando o Sótão.

FA - Agora o momento clichê. Obrigado pela entrevista e pode mandar seu recado!

MB: A Euterpia está passando por um excelente momento e temos muito a agradecer ao nosso publico tão querido, que está sempre presente nos shows, dando sempre novas forças pra gente continuar trabalhando! Também devemos muito a pessoas como vocês que contribuem sempre para a divulgação das bandas desse estado! Deixo aqui, em nome da Euterpia, minha gratidão e meu carinho a todos que torcem e acreditam no trabalho das bandas paraenses! Um grande beijo e obrigada!


A Euterpia na Rede.

http://www.euterpia.com

http://www.tramavirtual.com.br/a_euterpia

http://euterpia.palcomp3.cifraclub.terra.com.br/

Contatos.

euterpia@hotmail.com
(91)8118-6326 / 3223-1664 - Marcel

5/12/2007

ENTREVISTA EDUARDO PINTO BARBIER.

Eduardo Pinto Barbier Trabalha com fanzines e quadrinhos desde o início dos anos 90, oriundo do primeiro grupo organizado em Belém do Pará(Ponto de Fuga) editou o fanzine “A Boca no Mundo”, que hoje atravessa froteiras sendo editado na França, país onde reside Eduardo. Nesta entrevista ele conta sua história com o mundo dos zines e quadrinhos além de explanar sobre seus projetos.

FA-Fale um pouco do seu trabalho com os zines e os quadrinhos.
EPB: O meu trabalho com o mundo dos zines começou aos meus 13 anos de idade, na épocanem sabia o que significava a palavra fanzine ou utopia. Nesta época meus dois primose eu pitávamos o sete na casa do meu tio. Era o centro de encontros dos novos Pintos (sempre me refiro a minha família como se ela fosse um grande galinheiro, o sobrenome obriga a isso - risos). E nessa época, como nos contos infantis, nós encontramos, na biblioteca do meu tio (a maior biblioteca particular que já vi na minha vida), em um armário fechado à chave, um tesouro que iria mudar nossas vidas, ou ao menos a minha. Nós ganhamos super-poderes! Verdade; nessa biblioteca cheia de livros estava num canto perdido a coleção de quadrinhos do meu tio. E foi lá que começamos a viajar com Flash Gordon ou conhecer as florestas africanas com Fantasma e Tarzan, ou simplesmente passar um fim de semana com Charlie Brown. Mas o interesse pela leitura veio com muita briga com o meu primo. Ele me forçava a ler os Conans. Até que o remédio fez efeito e comecei a colecionar o cimério. Depois veio a grande descoberta: Chiclete com Banana. Meus primos sempre eram castrados, não podiam chamar palavrões, não podiam ficar na rua tarde, violência na televisão nem pensar, mas por incrível que pareça comprar a Chiclete com Banana era permitido. Aí, com o tempo, a gente começou a copiar os desenhos. Angeli, Glauco e Laerte eram para nós como Deuses! E cada um se apropriava de um desses Deuses. Por minha parte fiquei sendo a cópiado Laerte. E foi quando nós começamos a criar nossas revistas: por minha parte criei Eduardo Edições, entre outras... A maioria não saía do projeto de capa, na época tínhamos um Mac que a universidade americana (bom, não sei qual era...) tinha dado para o meu tio... HAHAH! Penso que Belém na época devia ter 4 a 5 mac... Era na época que os vídeos cassetes eram enormes e era um luxo. Mas nossa produção era mostrada somente para um certo público, os Pinto porras-loucas ou boêmios, já que eram quadrinhos que falavam sobre sexo e política. Então nós tínhamos muita vergonha de mostrar.... Isso foi o primórdio... Mas com a evolução e com os meus 17 anos de idade e com a cabeça cheia de idéias e problemas de gente dessa idade, conheci a Casa da Linguagem (centro cultural localizado no centro de Belém) onde fiz um curso de quadrinhos populares administrada pelo Luis Paulo Jacob, vulgo LUPA. Onde criamos no fim de dezembro do mesmo ano "A Boca no Mundo". Poucos números, certo, mas um marco para os quadrinhos paraenses. O único que existe ainda, mesmo se ele não é mais publicado em Belém, nem no Brasil e tão menos em Português (risos), mas é a intenção e os objetivos que contam. Bom, na minha época nós criamos a AQC-PA que durou 6 meses, foi uma verdadeira loucura, mas foi a época em que a produção de zines belenense foi a maior, graças também a uma xerox que consegui de graça. A qualidade era terrível, mas era de graça para o pessoal da AQC-PA. Agora o fanzinato belenense está realmente uma calamidade e, portanto, de bons e ótimos quadrinhistas, cartunistas e ilustradores é o que não falta. Agora com a Boca no Mundo sendo publicada na França, o fanzinato brasileiro tem mais um espaço fora do Brasil para ser divulgado, já que tenho uma coluna de divulgação das produções que recebo ou que eu compro.

FA-Quais as principais diferenças de se produzir um zine no Brasil e no exterior?

EPB: Bom, a vida é melhor nos paises de 1° mundo, então fica mais fácil de produzir um zine de qualidade gráfica boa. Todo mundo sabe das mil e uma crises que o brasileiro vive todo dia, e que o Brasil é o pais do futuro, mas a gente vive no presente. O custo de produzir um zine de 24 páginas A5 preto e branco é muito baixo aqui nas zoropas. Mas no Brasil eu penso que os fanzineiros são mais unidos que aqui na França. Sempre sou eu que entro em contato com o pessoal daqui; não moro numa grande cidade, então imagina como são as coisas aqui. Poucos zines divulgam os trabalhos dos outros e quase não se comunicam, pior ainda se se fala dos portugueses. Que fora a Teresa Pestana do ótimo Zine Gambuzine, o resto... Não me dão bola. QI é realmente um caso a parte no mundo. Bom, me lembro da história que teve em São Paulo, que falavam que nem mesmo os fanzineiros não davam a força para o movimento, coisa e tal. Estive em São Paulo nas minhas férias (no mês de maio, onde dei uma conferência sobre a Boca no Mundo). Bom, convidei todos os zineiros que conhecia em Sampa e poucos vieram, mas por incrível que possa parecer tive apoio dos profissionais que vieram e conversamos de mano a mano, assim que de alguns zineiros. E esses que criticavam os zineiros não estavam lá... Mas tudo bem, não vou querer cortar a cabeça deles, o pessoal que estava presente era o que estava realmente interessado no que faço; os que não puderam vir... fica para uma próxima vez. O importante é que você mesmo acredite no que esta fazendo. Bom, acho que me perdi nos meus pensamentos e na pergunta....
FA-Quais são as vantagens e desvantagens que a Internet oferece aos
quadrinhos?

EPB:As vantagens são várias, a maioria dos contatos que tenho são pela internet, recebo quadrinhos via mail, é seguro e baratérrimo. E agora tenho um blog para poder mostrar o trabalho que faço, sei que ainda não é um site, mas um dia chego lá. E atualmente é mais viável para certos zineiros de produzir e mostrar na internet, já que todos no mundo inteiro podem ver, é o lado bom da globalização. A desvantagem é que os zines em papel se rarificam um pouquinho.

FA-Quem lê quadrinhos hoje em dia?

EPB:No Brasil só uma classe com uma certa educação, por assim dizer. Aqui na França todo mundo lê quadrinhos. É coisa normal receber um álbum de quadrinhos como presente. Penso que o governo deveria fazer algo para isso, assim como os editores. Como explicar que os quadrinhos infantis vendem tanto e que os quadrinhos adultos tão pouco? Aqui é normal que um quadrinho desconhecido se vende a 30 mil. Então um Bilal se conta a 130 mil, 150 mil exemplares.
FA-Quais os seus próximos projetos?
EPB: Depois dessa viajem que fiz em São Paulo e em Belém do Pará (maio/junho 2006) me deu uma força. Infelizmente para nós dos outros estados, é em São Paulo que quase tudo acontece, e foi lá que tive vários contatos com profissionais e apaixonados por quadrinhos, sem esquecer dos zines que por lá encontrei. Então voltei com vários projetos de publicação. Na mala estão nomes como Lourenço Mutarelli e Laudo, entre outras pessoas que por lá encontrei. E em Belém, além de encontrar a cidade das mangueiras, pude reencontrar alguns zineiros e o ótimo pessoal do livro Encantarias, uma das melhores publicações desse ano. Pena que o resto do Brasil não conheça, como sempre Belém e o resto do norte são esquecidos do resto do Brasil. Bom, de próximos projetos concretos mesmo só o próximo número da Boca no Mundo, que estou atualmente acabando de fazer. Tenho outras coisas a publicar, mas enquanto não sair do estado de projeto não falarei mais delas, já que o pessoal espera, espera e ela não sai.... Bom, o próximo Boca já é um grande projeto. 100 páginas, A4 com 30 autores da França, Canadá, Cuba, Argentina, Portugal, Alemanha e Brasil. Com amadores e profissionais. O objetivo é editar 2 por ano em francês, português e inglês.Loucura? Não, apenas um sonho de colocar a Boca no Mundo entre as referências mundiais. E isso começou em Belém do Pará.
FA-Obrigado pela entrevista, pode mandar seu recado.
EPB: Obrigado por ti. Todos os espaços para divulgar os quadrinhos no Brasil são importantes. O recado é só esse aqui:
ZINE-SE!

Contatos:

Blog: http://www.labouchedumonde.blogspot.com/

Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=30933386

Email: bocaprod@hotmail.com


1/07/2007

ENTREVISTA PETTER BAIESTORF.

Petter Baiestorf tem um longo caminho traçado pelo undeground nacional, zineiro, escritor, músico, Sineasta (com "S" mesmo!), agitador cultural, é um ser produtor incansável (não sei até onde essa frase ficou dúbia). Vem aqui falar um pouco do seu novo trabalho, o longa A Curtição do Avacalho, zines e outras cositas mais.

Petter Baiestof em ação

FA- Você finalizou mais um filme, “A Curtição do Avacalho”. Comente um pouco sobre essa produção.

B: Este longa tem conseguido uma boa repercussão em mostras alternativas, é um filme sobre o quanto é difícil ser um cineasta independente (e se manter fiel a sua ideologia) aqui no Brasil. Com o roteiro tentei dar uma seqüência ao livro “Manifesto Canibal” brincando com a estética do cinema Marginal Brasileiro dos anos 60/70 misturado ao estilo trash de filmes como “O Incrível Homem Que derreteu”. Contradições estéticas que se completam e que está sendo entendido pelos espectadores que possuem intimidade com os dois estilos. Em 1997, quando fiz o longa “Super Chacrinha...”, eu já tinha tentado isso sem sucesso.

FA- E como anda sua produção de fanzines? Ouvi um comentário que seu zine Urtiga viria a se transformar em revista, este projeto vai sair?

B: Eu não estou mais editando zines, não por falta de material ou vontade, mas sim pela absoluta falta de leitores. A Idéia de transformar o “Urtiga” em revista continua, Elio Copini (co-editor) também acha que seria uma boa a gente publicar algo mais profissional. Mas, como eu estou envolvido em muitos projetos, não sei quando conseguirei a grana prá edição, pois faço questão de realizar todas as minhas produções de modo completamente independente e sem anunciantes. Agora estou filmando o longa “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode Com o Rebosteio dessa Zumbizada Bagaceira Sabor Bucereja!!!” e planejo ainda a edição do meu livro “Amor, Sexo & Outras Bebidas Delirantes” e de um livro contando a história da cena gore grind brasileira que ainda está sendo escrito, então não sei como estarei financeiramente no próximo ano.

FA- Como você encara a pirataria sendo o Brasil o maior mercado produtor de produtos piratas?

B: Não estou me preocupando com isso, tanto que resolvi disponibilizar, em 2007, todos os 18 longa produzidos pela Canibal Filmes para download gratuito, começando pelo último longa que fiz: “O Monstro Legume do Espaço 2”.

FA- “Quando os poetas vão deixar de ser brochas para se tornarem bruxos?”. A pergunta de Roberto Piva ainda é válida?

B: Cara, esses velhos aí estão sempre só reclamando, fodam-se todos eles. Todo mundo deve fazer o que quiser e acabou.

FA- Obrigado pela entrevista e faça suas considerações finais!

B: Vou ir beber uma cerveja.

Filmografia Petter Baiestorf
Lixo Cerebral Vindo De Outro Espaço
(Canibal Produções/1992/Incompleto de Petter Baiestorf);
Criaturas Hediondas (Canibal Produções/1993/80’ de Petter Baiestorf);
Criaturas Hediondas 2 (Canibal Produções/1994/77’ de Petter Baiestorf);
Açougueiros (Canibal Produções/1995/44’ de Petter Baiestorf);
O Monstro Legume Do Espaço (Canibal Produções/1995/77’ de Petter Baiestorf);
Detritos (Canibal Produções/1995/9’ de Petter Baiestorf);
2000 Anos Para Isso? (Canibal-Mabuse Produções/1996/12’ de Petter Baiestorf);
Eles Comem Sua Carne (Canibal-Mabuse Produções/1996/73’ de Petter Baiestorf);
Arachnoterror (Canibal-Mabuse Produções/1996/11’ de Cesar Souza, com Edição/Música/Co-Produção/Direção de Fotografia de Petter Baiestorf);
Speak English Or Die - O Punheteiro Cósmico (BB’s Entertainment/1996/13’ de Petter Baiestorf);
Speech - Videoclip p/ Zero Vision (Canibal-Mabuse Produções/1996/2’ de Petter Baiestorf);
Caquinha Superstar A Go Go (Canibal-Mabuse Produções/1996/70’ de Petter Baiestorf);
Satânikus (Canibal-Mabuse Produções/1996/35’ de Cesar Souza, com Co-Edição/Música de Petter Baiestorf);
Blerghhh (Canibal-Mabuse Produções/1996/75’ de Petter Baistorf);
Bondage: O Prazer Da Submissão (Canibal-Mabuse Produções/1996/69’ de Petter Baiestorf sob pseudônimo de Lady Fuck);
Ácido (Canibal-Mabuse Produções/1997/2’ de Petter Baiestorf);
Fatman E Robada (Vulnávia Produções/1997/30’ de Rogério Baldino, com Petter Baiestorf em ponta como ator);
The Butterfly Over Sky-Brain (Canibal-Mabuse Produções/1997/15’ de Petter Baiestorf);
Morgue - Videoclip p/ Necrotério (Canibal-Mabuse Produções/1997/3’ de Petter Baiestorf);
Canibais Na HorrorCon (Canibal-Mabuse Produções/1997/23’ de Rogério Baldino, com Co-Produção/Roteiro/Edição de Petter Baiestorf);
Making Of De "Caquinha Superstar A Go Go"(Canibal-Mabuse Produções/1997/60’ de Rogério Baldino, com Produção de Petter Baiestorf);
Chapado (Canibal-Mabuse Produções/1997/31’ de Petter Baiestorf, Cesar Souza e Marcos Braun);
My Little Blues (Smoke And Beer Prod./1997/13’ de Cesar Souza, com Petter Baiestorf como câmeraman não creditado);
My Little Psycho (Baiestorf Apresenta/1997/7’ de Petter Baiestorf);
Vomitando Lesmas Lisérgicas (Canibal-Mabuse Produções/1997/8’ de Petter Baiestorf);
Surfin' Bird - Videoclip p/ Joe Coyote (Supernatural Produções/1997/3’ de Cleimir Micceno, com Edição não creditada de Petter Baiestorf);
Shuín - O Grande Dragão Rosa (Extreme Prod./1997/80’ de Cristiano Zambiasi, com Petter Baiestorf em ponta como ator);
À Meia-Noite Com Glauber (Topázio Filmes/1997/16’ de Ivan Cardoso, com Seleção Musical B’ Movies de Petter Baiestorf);
Bondage 2: Amarre-me Gordo Escroto (Canibal-Mabuse Produções/1997/55’ de Susana Mânica, com Produção de Petter Baiestorf);
PVC (Baiestorf Apresenta/1997/7’ de Petter Baiestorf e Cesar Souza);
Gordo Enrolando (Canibal-Mabuse Produções/1997/8’ de José Salles, com Produção/Edição/Fotografia de Petter Baiestorf);
Amsanctus - Ensaio (Baiestorf Apresenta/1997/32’ de Petter Baiestorf);
Super Chacrinha E Seu Amigo Ultra-Shit Em Crise Vs Deus E O Diabo Na Terra de Glauber Rocha (ou Ainda Bem Que Jimi Hendrix Morreu) (Caos Filmes/1997/118’ de Petter Baiestorf);
Mulheres Apaixonadas (Caos Filmes/1997/3’ de Petter Baiestorf);
Deus - O Matador De Sementinhas (Caos Filmes/1997/4’ de Petter Baiestorf e Carli Bortolanza);
O Homem-Cú Comedor De Bolinhas Coloridas (Caos Filmes/1997/16’ de Petter Baiestorf);
Quando Os Deuses Choram Sobre A Ilha (Jorge Timm Apresenta/1997/30’ de Petter Baiestorf);
Analconda Y Los Vampiros De Tiburon (Caverón Cine/1998/20’ de Cesar Souza, com Edição/Música de Petter Baiestorf sob pseudônimo de Uzi Uschi);
A Obra De Jorge Timm (Canibal-Mabuse Produções/1998/20’ de Petter Baiestorf e Carli Bortolanza);
Crise Existencial (Canibal-Mabuse Produções/1998/8’ de Petter Baiestorf);
Bagaceiradas Mexicanas Em Palmitos City (Cine Tetas e Pinga/1998/96’ de Petter Baiestorf);
Nocturnus (Pagan Films/1998/11’ de Dennison Ramalho, com Petter Baiestorf como Ator);
Gore Gore Gays (Canibal-Mabuse Produções/1998/108’ de Petter Baiestorf);
A Despedida De Susana: Olhos E Bocas (Caos Filmes/1998/6’ de Petter Baiestorf);
Papai Noel Strikes Again (Supernatural Produções/1998/1’ de Cleimir Micceno, com Edição de Petter Baiestorf);
Bosta Na Cabeça (Supernatural Produções/1998/10’ de Cleimir Micceno, com Edição de Petter Baiestorf);
Psycho View Of Joe Coyote (Supernatural Produções/1998/34’ de Cleimir Micceno, com Edição de Petter Baiestorf sob pseudônimo de Uzi Uschi);
Faster Pancho Vila, Kill! Kill! Kill! (Supernatural Produções/1998/10’ de Cleimir Micceno, com Edição/Diálogos e Atuação de Petter Baiestorf);
O Miojo Do Mal (Scum Trash & Waste Prod./1998/12’ de Jadir Nunes, com Edição de Petter Baiestorf);
Transform - Videoclip p/ The Tchó Kongas (Canibal-Mabuse Produções/1998/2’ de Petter Baiestorf);
Spider Baby - Videoclip p/ Mechanics (Canibal-Mabuse Produções/1998/2’ de Petter Baiestorf);
Hi! Society (Tamborete/1998/4’ de Cláudio Amaral, com cenas d’O Monstro Legume Do Espaço);
Homenagem (Caos Filmes/1998/7’ de Carli Bortolanza, com Fotografia/Edição de Petter Baiestorf);
Boi Bom (Canibal-Mabuse Produções/1998/12’ de Petter Baiestorf);
Chumbo (Caos Filmes/1998/6’ de Petter Baiestorf);
O Vinicultor Faz O Vinho E O Vinho Faz O Poeta (Caos Filmes/1998/12’ de Petter Baiestorf);
Fodendo Meu Vitelo (Caos Filmes/1998/5’ de Carli Bortolanza, com Fotografia/Edição de Petter Baiestorf);
Road SM (Daddy Inc./1998/39’ de José Salles, com Fotografia/Edição de Petter Baiestorf);
Os Canibais-Mabusiânus Também Dançam Vol. 1 (Canibal-Mabuse Produções/1998/92’ de Petter Baiestorf e Cesar Souza);
Acidentando Os Corpos (Extreme Prod./1998/12’ de Cristiano Zambiasi, com Edição de Petter Baiestorf);
Sacanagens Bestiais Dos Arcanjos Fálicos (Canibal-Mabuse Produções/1998/80’ de Petter Baiestorf);
Raptores (Daddy Inc./1998/28’ de José Salles, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Estranhas Dimensões Da Mente (Produtora não creditada/1998/9’ com Direção/Edição não creditadas de Petter Baiestorf);
Zombio (Canibal-Mabuse Produções/1999/45’ de Petter Baiestorf);
Festival Psicotrônico Vol. 1 (Canibal-Mabuse Produções/1999/112’ de Petter Baiestorf, Cesar Souza e Carli Bortolanza);
9.9 (Caos Filmes/1999/15’ de Petter Baiestorf);
Aventuras Do Dr Cinema Na Terra Do VHS Vagabundo (Canibal-Mabuse Produções/1999/13’ de Petter Baiestorf e Cesar Souza);
Pornô (Canibal-Mabuse Produções/1999/3’ de Petter Baiestorf e Cesar Souza);
Gaykiller (Daddy Inc./1999/22’ de José Salles, com Fotografia Adicional de Petter Baiestorf);
Dominium (Supernatural Produções/1999/61’ de Cleimir Micceno, com Edição de Petter Baiestorf);
Andy (Canibal-Mabuse Produções/1999/Incompleto de Petter Baiestorf);
Boni Coveiro: O Mensageiro Das Trevas (Extreme Prod./2000/43’ de Boni Coveiro, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Buscando La Fiesta (2000/Incompleto de E.B.Toniolli, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Raiva (Rage-O-Rama) (Canibal Filmes/2001/70’ de Petter Baiestorf);
Coffin Souza's Freak Circus (Kenga Prod./2001/89’ de Cesar Souza, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Coffin Souza's Worm Universe (Freak Vídeo/2001/46’ de Cesar Souza, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Coffin Souza's Zombi X (Freak Vídeo/2001/77’ de Cesar Souza, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Coffin Souza's Inquilino (Freak Vídeo/2001/55’ de Cesar Souza, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Coffin Souza's Creation (Freak Vídeo/2001/52’ de Cesar Souza, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Relembre Da Carne (NAVE/2001/20’ de Cesar Souza, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Filme Caseiro Número Um (Caos Filmes/2001/5’ de Petter Baiestorf);
Carniça (NAVE/2001/31’ de Cesar Souza, Elio Copini, Ivan Pohl, Everson Schütz e Eder Meneghini, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Não Há Encenação Hoje (Caos Filmes/2002/30’ de Petter Baiestorf);
Demências Do Putrefacto (Caos Filmes/2002/15’ de Petter Baiestorf);
O Dragão Da Miséria (2002/Incompleto de E.B.Toniolli, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Mantenha-se Demente (Canibal Filmes/2002/Incompleto de Petter Baiestorf);
Fragmentos De Uma Vida (Canibal Filmes/2002/7’ de Petter Baiestorf);
Primitivismo Kanibaru Na Lama Da Tecnologia Catódica - Versão Caseira (Canibal Filmes/2002/11’ de Petter Baiestorf);
Minimalismo Surreal Vol. 1 (Canibal Filmes/2002/120’ de Petter Baiestorf e Cesar Souza);
Primitivismo Kanibaru Na Lama Da Tecnologia Catódica (Canibal Filmes/2003/12’ de Petter Baiestorf);
Cerveja Atômica (Canibal Filmes/2003/61’ de Petter Baiestorf);
Vida Canibal Vol. 1 (Canibal Filmes/2003/120’ com seleção de imagens de Petter Baiestorf);
Vida Canibal Vol. 2 (Canibal Filmes/2003/120’ com seleção de imagens de Petter Baiestorf);
Vida Canibal Vol. 3 (Canibal Filmes/2003/120’ com seleção de imagens de Petter Baiestorf);
Vida Canibal Vol. 4 (Canibal Filmes/2003/120’ com seleção de imagens de Petter Baiestorf);
Vida Canibal Vol. 5 (Canibal Filmes/2003/120’ com seleção de imagens de Petter Baiestorf);
Frade Fraude Vs O Olho Da Razão (Caos Filmes/2003/13’ de Petter Baiestorf);
31 De Março Para Todos Os Santos De 64 (Caos Filmes/2003/7’ de Petter Baiestorf);
Quadrantes (NAVE & Canibal Filmes/2004/65’ de Cesar Souza, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Ópio Do Povo (Caos Filmes/2004/3’ de Petter Baiestorf);
Buscando La Película Perdida (NAVE/2004/9’ de Petter Baiestorf);
Vai Tomar No Orifício Pomposo (Caos Filmes/2004/14’ de Petter Baiestorf);
Somos A Ralé (NAVE/2004/36’ de Cesar Souza, com Fotografia/Entrevista por Petter Baiestorf);
Experimentalismo (Dinoise/2004/51’ de Anderson Dino, com Distribuição de Petter Baiestorf);
Predadoras (Canibal Filmes/2004/20’ de Cesar Souza, com Fotografia de Petter Baiestorf);
Olhando A Cor Da Melodia De Baixo Para Cima Com A Cabeça Raspada Parada (Canibal Filmes/2004/10’ de Petter Baiestorf);
Poesia Visceral (Canibais Etílicos/2004/5’ de Criação Coletiva, com Petter Baiestorf como ator);
Ora Bolas, Vá Comer Um Cú !!! (Canibais Etílicos/2004/9’ de Petter Baiestorf sob pseudônimo de Uzi Uschi);
Filmes Caseiros Vol. 1 (Canibal Filmes/2004/120’ de Petter Baiestorf);
Vinheta Witchcraft Studio (Caos Filmes/2004/1’ de Petter Baiestorf);
Duelando Pelo Amor De Teresa (Canibal Filmes/2004/19’ de Petter Baiestorf);
Por Quê ??? ... Porquê Sou Brasileiro !!! (Caos Filmes/2004/15’ de Ivan Pohl, com Produção/Edição/Motivação de Petter Baiestorf);
Terceira Festa De Boas Vindas Ao Meteoro Amigo Que Se Espatifará No Planeta Terra No Ano De 2019 (Urtigueiros/Canibal Filmes/Caos Filmes/NAVE/Gore GG Efeitos/2004/85’ de Zero Yoshi, com Co-Edição de Petter Baiestorf sob pseudônimo de Uzi Uschi);
Kanibaru Schocking Shorts Vol. 1 (Canibal Filmes/2004/60’ de Petter Baiestorf e Ivan Pohl);
Baiestorf: Filmes De Sangueira & Mulher Pelada (Testículos Produções Artísticas/2004/20’ de Christian Caselli, com e sobre Petter Baiestorf);
Macedusss Vs La Invasion De Los Mediocres Marcianos Gays (Profana Edições/2005/12' de Danhus Macedusss, com Fotografia de Petter Baiestorf).

Filmografia Canibal Produções.
1993- Criaturas Hediondas (de Petter Baiestorf).
1994- Criaturas Hediondas 2 (de Petter Baiestorf).
1995- O Monstro Legume Do Espaço (de Petter Baiestorf).
1996- Eles Comem Sua Carne (de Petter Baiestorf).
1996- Caquinha Superstar A Go-Go (de Petter Baiestorf).
1996- Blerghhh !!! (de Petter Baiestorf).
1996- Bondage (de Uzi Uschi).
1997- Bondage 2 (de Suzana Mânica).
1997- Super Chacrinha E Seu Amigo Ultra-Shit Em Crise Vs. Deus E O Diabo Na Terra De Glauber Rocha (de Petter Baiestorf).
1998- Gore Gore Gays (de Petter Baiestorf).
1998- Sacanagens Bestiais Dos Arcanjos Fálicos (de Petter Baiestorf).
1998- Bagaceiradas Mexicanas Em Palmitos City (de Uzi Uschi).
2001- Raiva (de Petter Baiestorf).
2003- Cerveja Atômica (de Petter Baiestorf).
2004- Quadrantes (de Coffin Souza).
2006- A Curtição Do Avacalho (de Petter Baiestorf).
2006- O Monstro Legume Do Espaço 2 (de Petter Baiestorf).
2007- Que Buceta Do Caralho, Pobre Só Se Fode !!! (de Petter Baiestorf, em fase de filmagem).

Zines:
1992-Arghhh
1992-Necrofilia
1994-Clássicos Canibal
1994-Pus Diet
2000-Brazilian Trash Cinema
2003-O Viajante Cósmico
2003-Bebuns Bêbados Que Escrevem

Livros
Manifesto Canibal

Blog:
http://www.bohemiosdacultura.blogspot.com/

Contatos Canibal:
Cx. Postal 67 - Palmitos/ SC - Brasil CEp: 89887-000

11/26/2006

ENTREVISTA COM TOM ZINE.

Tom Zine é poeta, escritor, edita um zine que leva seu nome (ou seria o editor que leva o nome da obra?), com temática GLS, um dos melhores do Brasil, independente até o tutano o Tom Zine conseguiu chegar aos dez anos de zinagem, fato louvável em um país como o nosso, principalmente em um lugar onde a maioria dos moderninhos torce o nariz para certos assuntos que são tratados sem o menor pudor por Tom. Recentemente o artista se rendeu à modernidade e criou um blog para si nos mesmos moldes de seu trabalho impresso. Nessa entrevista Tom fala de poesia, internet, zine, Homossexualismo, de uma forma muito interessante.


1-Seu zine chega aos dez anos e vê a internet se apossando do meio comunicativo. Quais as mudanças dentro do movimento zineiro nesse tempo? A internet vai ocupar o espaço dos zines?

O fanzine sempre foi um material de resistência desde sua origem. O fanzine, em relação às novas mídias, é algo que já pode ser considerado como antiquado e mesmo inviável. No entanto, existe algo que denomino como a “sedução do papel”, que consiste no prazer do texto, que pode ser manuseado e lido em qualquer hora e local isento da assepsia imposta pelo computador. Nestes 10 anos pouca coisa mudou ou evoluiu (a não ser a qualidade da impressão que pode ser boa ou ruim – mas até isso tem lá seu charme). A inclusão digital ainda é um assunto confuso no país. Nem todos possuem computador e os poucos que possuem não têm acesso a Internet (que é muito cara). Não é a internet que vai ocupar o espaço dos zines , são os fanzines que vão procurar o seu espaço dentro da internet, como é o caso dos chamados e-zines. Até os blogs - espécie de diários virtuais - ainda buscam um formato adequado e seguro, já que a qualquer instante podem ser tirados do ar. É a precariedade do papel que torna o fanzine algo tão fascinante.


2-O caráter libertário dos fanzines dificulta a conquista de patrocínios?

Com certeza. As ideologias ainda guiam o pensamento dos homens em pleno século 21. A ideologias e as falsas utopias, para ser bem claro. Obviamente precisamos de uma certa dose de fantasia para sobreviver. Como diria Giusepe Ungaretti: “poetar é converter a memória em sonhos e povoar com alguma luz feliz a estrada do desconhecido”. O Tom Zine, nestes dez anos, recebeu algumas propostas para ser transformado em revista. Mas eu teria que abrir mão do “caráter libertário” citado por você. E abrir mão disso, seria o mesmo que perder a identidade. De certa maneira, tudo isso soa até um pouco ideológico, porém eu sempre me alimentei de contradições.


3-O público gay ainda é um público pouco explorado pelo mercado editorial?

Não só o público gay, mas todo o público consumidor de informação no país. Em relação a outros países, somos uma vergonha em se tratando de mercado editorial. Pra você ter uma idéia, as editoras lucram mais nos períodos de compra de livros didáticos do que editando nossos escritores. Aqui não se valoriza a cultura, que é tratada como material de segunda. Livro no Brasil é mercadoria de luxo vendida em gôndolas da Bienal. Os puristas odeiam Paulo Coelho por vender tanto quanto a autora de Harry Potter - com as devidas proporções. Pouquíssimos escritores no país sobrevivem da literatura. Todo escritor tem uma segunda profissão. A discussão pode se estender para a indústria de quadrinhos e a de cinema, também. Existem algumas publicações voltadas para o mercado gay que são produtos de pornografia, como se pensássemos apenas nisso. O nicho é imenso, o poder aquisitivo do gay é muito grande por não fazermos parte do esquema casamento-família-filhos. As revistas gays estrangeiras são melhores. A única que começou a dar certo no Brasil foi a “Sui Generis”, mas que faliu por falta de patrocínio. É difícil encontrar quem queira anunciar seus produtos numa revista com teor homoerótico, como se gay não comprasse carro, não tomasse cerveja ou fosse ao supermercado.


4-Por que a maioria dos homossexuais prefere encarnar uma Madonna a um Allen Ginsberg?

Por que Allen Ginsberg faz parte de um contexto cultural diferente daquele de Madonna, que é sinônimo de sucesso e principalmente alegria. Uma italianazinha que deu certo dentro do sistema americano e que em seguida deitou em rolou em cima dele. Veja bem, não é só uma questão de cultura, mas principalmente de postura. Ginsberg foi o grande rebelde romântico da segunda metade do século XX, Madonna, um quase-produto que inventou a si mesma e ainda continua se reinventando, coisas que os gays fazem todo dia. Matamos um leão por dia, só para utilizar uma metáfora comum. Sobrevivemos ao holocausto nazista, não fomos indenizados e ainda continuamos a ser perseguidos. Mas eu prefiro o beatnik à cantora.


5-Antigamente existia Drummond no Modernismo, Paulo Leminsk entre os malditos; e hoje, o que a poesia brasileira tem para legar? Vivemos uma época medíocre na questão poética?

O período pode ser medíocre, porém a poesia jamais o será. Sendo assim, ela não precisa de quem a represente. A poesia sobrevive e sobreviverá sem Leminski ou Drummond, porque a poesia não é um material perecível. O poeta russo Maiakovski dizia que tudo o que ele fazia nunca iria lhe interessar se não comportasse alegria. De qualquer maneira eu não colocaria Drummond como representante do Modernismo, mas sim Bandeira ou Oswald de Andrade; e como malditos, os expoentes poderiam ser Glauco Mattoso e Roberto Piva. A poesia brasileira é tão boa quanto à americana ou a inglesa, porém não tão corajosa. O Piva já citado fala que já está na hora de o poeta deixar de ser broxa para ser bruxo. O poeta é também chamado de vate ou vaticinador, ou seja, aquele que prediz ou adivinha o futuro. O poeta possui antenas e vê além, fala através de entrelinhas. Os tempos atuais são terríveis para a poesia, porque é um período de barbárie. Voltamos à época medieval em que torres são abatidas e países invadidos. É possível fazer poesia disso também, mas definitivamente não é o que queremos.


6-Existe poesia marginal? Todo poeta é marginal ou todo poeta é elitista?

Se entendermos a poesia como algo que não tem utilidade imediata, ela pode ser marginal neste sentido. A poesia marginal citada por você fez parte de um contexto dos anos 70, quando colocaram em pauta os impasses gerados pelo chamado “Milagre Econômico”, e caminhou junto ao Cinema Novo, o Tropicalismo, o teatro Oficina. Os poetas marginais criaram propostas inovadoras de sobrevivência de uma estética que sucumbiu ao mercado editorial. Temos um Torquato Neto (“e vivo tranqüilamente todas as horas do fim”) ou uma Ana Cristina César (”Estou muito concentrada no meu pânico”). Ninguém escolhe uma atividade que só lhe dá dor de cabeça e nenhum retorno, assim como ninguém escolhe ser poeta. Você é escolhido. É chamado, como diria Fernando Pessoa, para sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa ao mesmo tempo. Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos num só momento difuso, profuso, completo e longínquo. Não me comparo a Oscar Wilde, que foi condenado a quebrar pedras numa prisão; a Sylvia Plath, que se matou de tanta angústia; ou a Jean Genet, que vivia de prisão em prisão; mas sempre que um poema meu chega até a imprensa, sou execrado. Agora mesmo, se você for até o site do Mix Brasil e ler o poema “Deus é Gay”, verá alguns comentários. Isso é ser marginal? Isso é ser elitista? Eu prefiro outra coisa, mas não posso fugir.


7-Obrigado pela entrevista. A palavra é sua.

Que se passe a ter mais atenção ao que acontece ao redor. A vida só dá uma safra. Não se repete. Que se leia e se aprenda. Precisamos deixar algo decente para gerações futuras. A historiadora Vera Lúcia de Oliveira é quem pergunta: “O corpo de um torturado escava através dos séculos sua intensidade de morte e dor. Mas Deus, para quem não existe a história, como pode suportar o horror de um momento único onde só o que muda é a boca de quem grita?” O que eu escrevo retrata o que passei e passo. Para mim, Deus é gay, sim, porra! Como para o índio, Deus deve ser índio; como para o negro, Deus deve ser um baita negão. Podem dizer que gozo no buraco errado, que não faço filhos para serem utilizados nas fábricas ou no mercado do tráfico. E daí? Ninguém chora minha tristeza ou ri minhas alegrias. Por isso não tenho rosto, mas tenho voz. Eu não sou pedófilo. Não como meninos. Este país está à deriva. Alguém antes de sair apagou a luz, que continua apagada até hoje. Temos hoje candidatos ao governo dois homens que perderam completamente o caráter e somos obrigados a eleger um deles. É aquela coisa: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Mas eu não sou bicho e nem bicha. Bicha pra mim é aquele verme. Também não sou veado ou viado. Eu sou um homem cuja orientação sexual diverge dos demais.


COMER UM HOMEM
By Tom

Comer um homem
Não é somente apropriar-se
De sua carne, seus ossos, sua pele
Antes fosse,
Antes a bárbara necessidade
De assá-lo, fritá-lo,
Entremeio tormentos.

Comer um homem
É autofágico desejo
De estar dentro de si
Do lado de fora,
Do Lado de dentro,
Nesse ir e vir
De encantamento.

Comer um homem
É como ferir a seda
É despejar no duto
O caudaloso líquido
Retornando-lhe a vida.

Contatos:
Avenida Agnelo José de Magalhães, 48, 39840-000, Frei Gaspar-MG
tomzine@bol.com.br

Blog:
http://www.paredesteto.blogspot.com/

10/26/2006

ENTREVISTA MADAME SAATAN


A banda Madame Saatan surgiu dentro da nova fase do rock paraense, com um som que oscila entre o Heavy Metal, blues, carimbó, juntando isso a uma apresentação inspirada pelo teatro, refúgio artístico onde a banda foi criada para compor a trilha sonora de uma peça. Em entrevista concedida pela vocalista Sammiliz, alguns assuntos como leis de incentivo, cena paraense, planos futuros e outras coisas mais são abordados.


Madame Saatan

FA - Vocês estão esperando já tem um bom tempo por uma lei de incentivo para lançar seu primeiro cd, O que os impede de receber algo que, por direito, é de vocês? Até onde essas leis funcionam?
Sammiliz: Na verdade fomos contemplados com o Prêmio Estímulo Altino Pimenta criado pela Bienal Internacional de Música, da gestão anterior. Pois a mesma não cumpriu com seu edital e ficamos a ver navios. A atual administração da Fumbel diz que sai a verba ainda esse semestre, mas infelizmente o interesse em honrar com a dívida da sua antecessora não parece ser algo tão importante. Sobre as leis de incentivo, a questão é que os agraciados sempre são os mesmos, sem falar que quando alguém consegue furar esse bloqueio a etapa de captação do dinheiro costuma matar no cansaço. Estou um pouco por fora, confesso que andei desiludida com elas, mas sei que algumas sofreram mudanças em seus editais, o que talvez democratize mais a coisa. Ainda é um caminho que pode valer a pena para muita banda. Tentem, tentem tudo. Sobre o nosso caso, vamos continuar enchendo o saco, entrar na justiça se for o caso, mas resolvemos não esperar mais. Esperamos demais, até. Estamos concentrados na pré-produção do cd, compondo e mexendo em arranjos para entrar e sair rápido do estúdio.

FA - Vocês estavam em uma mini-turnê fora do estado, como foi a recepção do público ao som de vocês?
S: Não foi uma mini-turnê. Foram duas boas tocadas, uma no começo de julho, em Palmas(TO), no Festival PMW e agora em agosto em Cuiabá(MT), no Calango. A recepção do público tem sido surpreendente pra gente. É sempre um mistério saber o que vamos encarar pela frente e ainda mais em estados onde a maioria não conhece a banda. Estamos sendo muito bem recebidos. No começo ficam olhando, sacando o som e depois todo mundo se entende. Festa! Voltamos sempre energizados depois dessas viagens. (N.E: Após a mini-turnê a banda tocou no festival Se Rasgum No Rock sendo uma das mais elogiadas por público e crítica, veja o documentário no youtube. Parte 1 e Parte 2)


FA - Belém deu uma revigorada no rock de um tempo pra cá com o surgimento de bandas mais flexíveis em seus sons fugindo do tradicional Hardcore-Metal, qual o impacto que essa mudança no perfil musical tem para esse bom momento que o rock paraense vive?
S: O impacto de novas texturas sonoras injetadas na cena é sempre revigorante. Acho que é isso mesmo, tem que haver uma busca daquele toque pessoal, seja ele em qualquer estilo. Que haja a tradição: às vezes quero ouvir o velho metal tradicional, a levada punk clássica, mas devemos estar abertos a interpretações novas sobre velhos temas, ou quem sabe algo realmente novo. Falo de músicos e público. Hoje em dia vemos bandas se voltando para aquele rock com gosto retrô, que adoro, e outra grande parte fazendo o tal emocore. Mas há mais moradas na casa do diabo: e por que não bandas mais pesadas, mais experimentais, mais eletrônicas? Temos no Pará excelentes bandas, com grandes idéias e um público disposto a ouvi-las. A cena vive um bom momento. Veja o Festival Se Rasgun no Rock, por exemplo, que assina isso. É o começo da integração da cena independente paraense com a do resto do Brasil - e se ninguém ficar de braços cruzados, esperando, vem coisa por aí.


FA - Qual sua visão da pirataria áudio-visual e do conflito entre grandes e pequenas gravadoras e os selos independentes?
S: Há conflitos distintos em ambos os casos. As majors enfrentam o desespero de ver uma queda de 50% nesse semestre, em relação ao mesmo período do ano passado por causa da pirataria, e os selos independentes fervem a cabeça com a questão da distribuição. Está havendo uma grande reestruturação do mercado com o aumento da distribuição de músicas em formato digital, o que é significativo em relação ao independente, que está se organizando cada vez mais. Os dois lados estão se adaptando, tentando se manter ou não se extinguir, no caso do sistema das grandes gravadoras. Estamos naquele caso: o que vier é lucro, já que não temos nada e nossa música voa por aí, em computadores alheios. De uma forma simplista, posso dizer que se um dia, em uma esquina dessas, alguém me oferecesse um piratão do Tao do Caos, ia pensar duas coisas: atingimos a massa, beleza, mas... Quem ganha o dinheiro da minha música? A malandragem da pirataria veio pra quebrar as pernas das majors, o que é ótimo, e fazer o independente pensar.


FA - Vocês flertam com o teatro, ganharam festival de videoclipes regional, tocaram em importantes festivais independentes. Quais são as novidades que podemos esperar da banda?
S: Em 3 anos intensos como banda, as coisas - mesmo que pequenas e, por isso mesmo, tão importantes - foram acontecendo muito rápido. Viemos do teatro, a banda foi criada para um espetáculo, e isso estará de algum modo sempre ligado a nós. Ralamos muito, tivemos sorte até hoje e temos muita coisa pra fazer, já que nem cd cheio temos. A novidade fica por conta dele mesmo. Até o fim do ano sai. Antes disso a gente grava um single, Molotov, e disponibiliza no fotolog www.fotolog.com/madame_saatan.

FA - Obrigado pela entrevista e pode usar o espaço para as considerações finais.
S: Obrigada vocês! Meus queridos, só desejo e espero que nunca hajam as tais considerações finais para a cena paraense. Que seja apenas o começo dessa brincadeira muito séria que tanto insistimos. Beijos!


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Integrantes:

Edinho: Guitarra
Ícaro Suzuki: Baixo
Ivan Vanzar: Bateria
Sammliz:Voz

Discografia:
O Tao do Caos

Fotolog:
www.fotolog.com/madame_saatan

Músicas:
www.myspace.com/madamesaatan

http://www.tramavirtual.com.br/artista/madame_saatan

Clip:
http://www.youtube.com/watch?v=_ASknFSkO5s

Enquete Sobre a Banda:
http://www.misterpoll.com/2017548508.html

Contatos:
Sidney Filho - Produtor
pereira_sidney@hotmail.com
(91) 3266 1757/ 9985 7706


9/16/2006

ENTREVISTA COM A BANDA DELINQUENTES.

Banda de Belém do Pará com mais de 20 anos de carreira, oriundos do punck/hc e atualmente voltados para um som mais trabalhado com várias influências, mas sem esquecer as origens. Capitaneado por Jayme Katarro, único integrante original, a banda vem de um show destruidor no Festival Se Rasgum No Rock e prepara algumas novidades para o público.
Delinquente ao vivo.

Feridas Abertas- Para quem talvez não conheça, apresente a banda.
Jayme-
A Delinquentes surgiu no final de 85, com outra galera e outra proposta musical, já que ninguém sabia tocar nada na época. Com o tempo e com várias formações depois, a banda foi assumindo uma postura mais séria, ao mesmo tempo que trampando mais o som e as letras, sem perder as características iniciais da temática crítica perante essa sociedade falida e a desumanidade do mundo atual.

FA-Vocês ganharam um projeto baseado em uma lei para produzirem o novo disco, mas parece que por causa do nome da banda estava difícil conseguir quem o financiasse. Fale um pouco sobre esse fato? Essas leis de incentivo funcionam mesmo?
Jayme-
Funcionar funcionam, só que naquela época as coisas estavam um pouco mais difíceis que hoje. A abertura ao rock local mudou muito em alguns poucos anos. Acredito que se fosse hoje, teríamos um pouco mais de chance. O preconceito não é somente no nome, mas no próprio estilo Rock. Lembrando que não fomos somente nós que perdemos essa oportunidade. SUZANA FLAG, RÁDIO CIPÓ, NORMAN BATES, ÁLIBI DE ORFEU, e até o rap do M.B.G.C., todos ganharam a carta de incentivo. O problema todo foi na hora de conseguir patrocínio. Há até um projeto para tentar mudar isso, para que o incentivo já viesse em forma de dinheiro mesmo.

FA Quais as principais mudanças no som do novo trabalho para o antigo? Mudaram os integrantes e certamente mudou algo no som, certo?
Jayme-
Com certeza. Na verdade, voltamos a um antigo estágio em que nos encontrávamos há dez anos atrás, quando o Sandrão (baixo) e Pedrinho (guitarra), que agora voltaram, tocavam na banda. A proposta era um crossover pesado e trampado. Foi naquela época que surgiram músicas mais variadas e alternativas, ecleticamente falando, como Planeta dos Macacos e Cemitérios (ambas compostas por eles). Hoje estamos novamente compondo sons mais variados, como Vagamundo (que começa com um funk e desemboca num HC agitado) e a mais nova L'Uomo Delinquente, que é um trash com influências de carimbó nas bases. Não queremos nos limitar. Ao mesmo tempo que temos alguns sons HC porradas e básicos também, que remetem às nossas origens. O baterista Raphael também deu um novo gás na banda, com seu pique porrada e suas batidas groove, dando um toque peculiar ao nosso HC.

FA-Como você encara o atual cenário do rock paraense? O que mudou para melhor e para pior nesses vinte anos?
Jayme-
Muita coisa mudou. O rock saiu do gueto, as bandas estão mais ecléticas (hoje já encontramos desde as bandas mais Pop Rock com qualidade na cidade até o Rock Industrial, não esquecendo as tradicionais bandas Punk / HC e Trash Metal e até Gotich). Sinto que de uns dois anos pra cá as portas se abriram mais. Antes, nos shows de bandas de fora, só bandas covers eram chamadas. Hoje já chamam bandas autorais, o que foi uma grande vitória (merecida) das bandas que ralam compondo.

FA- O que falta para Belém não seriam selos que lançassem as bandas? Ou a Internet vai superar tanto grandes gravadoras como os selos independentes, restando apenas um produtor ou empresário para acertar os contatos?
Jayme- Acho que mais selos ajudariam. Mas a internet realmente aproximou mais o cenário local com o que anda rolando no mundo. Já há várias bandas daqui sendo lançadas em coletâneas de fora, viajando para festivais, etc. Isso é fruto de trampo também das próprias bandas. Não adianta ficar esperando. Tem que meter a cara, tentar divulgar o máximo possível seu trabalho.

FA- Obrigado pela entrevista. Pode fazer as considerações finais, fale o que quiser.
Jayme-
Bom, estamos gravando nosso 2º CD, e também preparando um DVD com as imagens do show do Memorial do Rock e do Fest Rock 2006, que pretendemos lançar o mais breve possível. Além disso, estamos criando nosso 2º vídeo clip (veja o primeiro clip aqui) e ainda vem muito mais por aí. Espero que o cenário na cidade continue evoluindo, e que as bandas continuem unidas como hoje (bem mais que no passado, com certeza). Obrigado pelo convite e conte conosco.
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DISCOGRAFIA:
CD individual: Pequenos Delitos (Ná Figueredo Records)
Coletáneas:
Açaí Pirão (Ná Figueredo Records)
Expresso HC (Macaé - RJ)
Minutos de Intolerância (João Pessoa - PB)
HC Scene (Londrina - PR)
Demos:
A Guerra Nossa de Cada Dia Dai-nos Hoje
Matança de Animais (com vídeo)
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Fotolog:
Músicas:
Contatos:
Fone: +55 (91) 8803-7259 / 3222-1810 (Jayme)